
O primeiro festival de mulheres negras do Brasil nasceu de uma ausência. Queríamos criar o que ainda não existia: um espaço onde mulheres negras pudessem se encontrar, criar, compartilhar experiências, reconhecer suas potências e projetar novos futuros. Um lugar onde arte, cultura, política, pensamento e ação caminhassem juntos. Ao longo de 19 anos, nos consolidamos como uma casa de mulheres negras em permanente movimento.
Uma plataforma construída a partir da experiência brasileira, mas conectada às diásporas negras. Da rua de casa aos circuitos internacionais, aprendemos que nossas histórias, desafios e sonhos dialogam com territórios muito além das fronteiras geográficas. O Festival Latinidades ajudou a ampliar debates, fortalecer redes, inspirar políticas públicas e criar oportunidades para milhares de artistas, intelectuais, produtoras, empreendedoras e lideranças negras. Mais do que acompanhar transformações sociais, buscamos contribuir para produzi-las.
Em 2026, o Festival Latinidades propõe uma conversa urgente sobre uma das questões mais importantes do nosso tempo: a saúde mental de trabalhadoras e trabalhadores da cultura. Se a arte e a cultura produzem sentido, afeto, reflexão, pertencimento e transformação para a sociedade, é indispensável voltar o olhar para quem sustenta esse campo nos bastidores. Para nós, saúde mental não pode ser tratada como uma questão privada ou individual. Ela está diretamente relacionada às condições concretas em que a vida cultural é produzida: a instabilidade, a sobrecarga, as múltiplas jornadas e as desigualdades de raça e gênero que atravessam o setor. Falar de saúde mental na cultura é reconhecer que o cuidado também precisa alcançar artistas, produtoras, técnicas, comunicadoras, gestoras e todas as pessoas que tornam possível a experiência cultural.
Mas esta não é uma conversa apenas sobre exaustão e adoecimento. É também uma reflexão sobre aquilo que nos mantém de pé. A cultura é criação, imaginação radical, memória, comunidade e construção de sentido coletivo. É nela que encontramos vínculos, afetos, ancestralidade, espiritualidade e formas de elaborar o mundo. Por isso, o Latinidades 2026 convida artistas, público, equipes, instituições e parceiras a ampliar o debate público: não apenas sobre o que nos adoece, mas também sobre o que nos fortalece. Em um tempo marcado pela aceleração e pelo isolamento, reafirmamos a potência das tecnologias de cuidado construídas por nossas comunidades e o direito ao descanso, ao prazer, à dignidade e ao bem viver. Porque cuidar de quem faz cultura é também cuidar da própria possibilidade de futuro.

O Festival Latinidades nunca coube em um lugar só. Além de Brasília, já passamos por São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Salvador, além de ações promocionais pontuais em Cabo Verde, Colômbia, Cuba e Reino Unido. Pela primeira vez, estamos com uma edição nos Estados Unidos! Neste ano, Brasília e Nova York movem uma mesma jornada. O Latinidades continua sendo um só. Mas agora, atravessando novos territórios, conversas e escalas de circulação. Porque o futuro da cultura negra também se constrói globalmente.

Brasília é a capital do país, cidade onde o festival nasceu e também onde decisões que impactam milhões de vidas são tomadas diariamente. Não por acaso, foi daqui que ajudamos a ampliar o reconhecimento do 25 de Julho como uma agenda nacional e a fortalecer debates sobre raça, gênero, cultura, memória e direitos. Estar em Brasília é ocupar um território onde cultura e política se encontram, Daqui, afirmamos que a produção cultural também é espaço de formulação, participação democrática e construção de agendas para o país.

Em uma das cidades mais influentes do mundo na produção e circulação de cultura, mídia e narrativas, o festival amplia a presença internacional de uma agenda construída por mulheres negras, latino americanas e caribenhas ao longo de 19 anos.
Não se trata apenas de ocupar novos territórios, mas de ampliar a circulação de ideias, experiências e formulações políticas que vêm contribuindo para transformar a forma como raça, gênero, cultura e cidadania são debatidos no Brasil e no mundo. Depois de influenciar o Brasil no fortalecimento do Dia da Mulher Negra como marco, é a vez de ampliar a visibilidade global à data e as reivindicações e contribuições das mulheres negras. Para isso, estaremos em parceria com o SummerStage e com o Afrolatino Festival NYC!

Em julho, artistas, pensadoras, lideranças, criadoras, pesquisadoras e público se encontram mais uma vez para compartilhar ideias, experiências e possibilidades.
